domingo, 15 de novembro de 2009

O pequeno antes e agora.

Antes...
...Conseguia ver o sol.
...Conseguia cheirar a rosa.
...Tinha contentamento.

Agora o que me aconteceu?
Será que o sol parou de brilhar?
Será que a rosa parou de cheirar?
Ou serei eu?

Antes...
...Conseguia pular de corda.
...Conseguia correr o quarteirão.
E olhe que era...

Agora parei de fazer isso.
Com tempo e espaço corrido.
Um encolheu o dia.
O outro encurtou a noite.

Quanto ao sol e a rosa
Fica o parar e ver a bela
Fica o parar e ver o brilho
No tempo e espaço dividido.

(André Luiz)

O veneno do tempo desesperado que me sai.

Havia um tempinho atrás em que eu não tinha... Hoje vejo que tenho mais e concluo que era o tempo que perdia. E esse tempo que perdi foi cruel não vê-lo passar e perceber que amargava minha boca rente o mel que surgia e se misturava ao veneno que escorria em meus lábios.
Enxugava-o cada vez que via escorrer para não espalhar no ar, ter mais vitima, ninguém perceber o meu lado malévolo, para não mais me vitimar...
O mesmo percorre ainda minha veia penetrando leve o fundo, ardente não mais me semeia.
Envenenava-me, antes, agora me desintoxico aos poucos, sendo o tempo que hoje me maltrata pelo fato de antes o maltratar em esquecer. É que vivia sem perceber que ele comigo estava, que comigo ele andava sem se ter.
Quero fazer minhas pazes com o tempo, passando por ele o vendo passar.
O veneno me escorre os lábios e vai custar para sair todo de mim.
Ainda ai de passar um tempo a fluir dentro de mim, era a minha criação, mas vejo que não é nada comparada a desgraça que são.
Irei deixar sair para ver o que ira acontecer, sendo ou não algo de ruim, sendo ou não criação de mim.
O veneno me escorre os lábios e eu o enxugo antes que possa ver.
O veneno me escorre os lábios e eu me desfaço dele.

(André Luiz)

O olhar para a Caveira.

Não olhe para ela como se fosse um monstro que não poderá estar em seu meio.
Olhe direito!
Olhe e veja nela uma única coisa.
Olhe e veja a diferença dela para com você.
O que falta para a serem de um mesmo patamar?
Lembre-se que em um dia ela possuiu carne, língua, em fim, um dia ela teve praticamente tudo o que você tem.
Então não a olhe como se fosse um monstro.
Não ligue para a sua aparência.
Para muitos se a enfeitasse com jóias serviria para por em suas salas de estar com todo o brilho todo.
Muitos que não olham o interior de cada um e somente enxergam o seu lado de fora ficam presos em uma dimensão de desrespeito.
Deixe em você o desejo de ver além.

(André Luiz)

Beleza hipnotizante.

Ele bate em minha pele e arde.
Faz com que ela fique agitada, marcada, vermelha.
Mesmo assim sem me importar com nada disso.
Estou no ponto mais procurado por todos.
Por aqueles que se sentem movidos pela beleza do lugar.
Vejo daqui um horizonte belo e sinto ainda sua paz...
Continua minha pele a arder.
Sentado no mesmo lugar procurado por todos.
Acima de tudo sem se importar com nenhuma ardência.
Sem me importar com nada que seja inferior a beleza do lugar.

(André Luiz)